quinta-feira, 18 de outubro de 2012



ANTECEDENTES HISTÓRICOS NA EDUCAÇÃO RURAL DO BRASIL
“A educação destinada aos trabalhadores rurais sempre foi motivo de muita discussão e controvérsia. As políticas educacionais criadas pelos governos colocavam a oferta de educação de uma forma geral. Desde o Brasil Colônia, a educação foi pensada e ofertada somente aos filhos da elite, que eram instruídos para dar continuidade ao projeto de perpetuação da desigualdade social entre ricos e pobres. Os pobres, em sua grande maioria indígena, escravos negros e camponeses, tinham a catequização dos jesuítas como consolo, já que precisavam ser instruídos na fé católica e na obediência à Coroa de Portugal.
A catequização não significava letramento, alfabetização, mas o aprendizado mínimo das regras de conduta da Igreja, que serviam de legitimação para as práticas de escravidão e exploração dos portugueses. Dessa forma, (...) as propostas dos jesuítas e dos portugueses se interligavam criando uma tríplice necessidade que não poderia dicotomizar-se, a saber: colonização, educação e catequese deveriam caminhar articuladas para um mesmo objetivo, que era levar a fé católica como salvação das almas e ampliar a exploração realizada pelos portugueses.
Portanto, aos trabalhadores do campo era destinada a enxada e a foice para que pudessem cumprir bem seu ofício, o que determinava a perpetuação do poder aos senhores de engenho e, posteriormente, aos coronéis das fazendas de café. De certa forma, desde 1550, quando realmente se iniciou o processo de catequização dos jesuítas, até os anos 70 e 80 do século XX, ou seja, durante mais de 400 anos de história, os camponeses foram relegados ao descaso. Enquanto na cidade os trabalhadores se organizavam na busca de seus direitos de cidadania, no campo os trabalhadores rurais continuavam sem organização e, em muitos lugares, eram expulsos de suas terras devido à ampliação do latifúndio, principalmente com o crescimento da pecuária.
Em algumas ocasiões na história do Brasil, os camponeses foram sinônimos de resistência ao modelo imposto. São considerados os primeiros movimentos sociais do campo devido às bandeiras de luta que estavam clamando. São eles: Contestado, no Paraná e Santa Catarina, Canudos, na Bahia, o Cangaço, no Nordeste Brasileiro e, por fim, as Ligas Camponesas, que deram origem à Revolta de Trombas e Formoso em Goiás”.
                                                                     Claudemiro Godoy do Nascimento*

* Licenciado em Filosofia pela Universidade Católica de Goiás (1999). Graduado em Teologia pelo Instituto de Teologia Santa Úrsula (2005). Mestre em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (2005).
Doutorando em Educação pela Universidade de Brasília. Professor da Universidade Federal do Tocantins.

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