ANTECEDENTES
HISTÓRICOS NA EDUCAÇÃO RURAL DO BRASIL
“A educação destinada aos trabalhadores rurais sempre foi
motivo de muita discussão e controvérsia. As políticas educacionais criadas
pelos governos colocavam a oferta de educação de uma forma geral. Desde o
Brasil Colônia, a educação foi pensada e ofertada somente aos filhos da elite,
que eram instruídos para dar continuidade ao projeto de perpetuação da
desigualdade social entre ricos e pobres. Os pobres, em sua grande maioria indígena,
escravos negros e camponeses, tinham a catequização dos jesuítas como consolo, já
que precisavam ser instruídos na fé católica e na obediência à Coroa de
Portugal.
A catequização não significava letramento, alfabetização,
mas o aprendizado mínimo das regras de conduta da Igreja, que serviam de
legitimação para as práticas de escravidão e exploração dos portugueses. Dessa
forma, (...) as propostas dos jesuítas e dos
portugueses se interligavam criando uma tríplice necessidade que não poderia
dicotomizar-se, a saber: colonização, educação e catequese deveriam caminhar articuladas
para um mesmo objetivo, que era levar a fé católica como salvação das almas e
ampliar a exploração realizada pelos portugueses.
Portanto, aos trabalhadores do campo era destinada a
enxada e a foice para que pudessem cumprir bem seu ofício, o que determinava a
perpetuação do poder aos senhores de engenho e, posteriormente, aos coronéis
das fazendas de café. De certa forma, desde 1550, quando realmente se iniciou o
processo de catequização dos jesuítas, até os anos 70 e 80 do século XX, ou
seja, durante mais de 400 anos de história, os camponeses foram relegados ao
descaso. Enquanto na cidade os trabalhadores se organizavam na busca de seus
direitos de cidadania, no campo os trabalhadores rurais continuavam sem
organização e, em muitos lugares, eram expulsos de suas terras devido à
ampliação do latifúndio, principalmente com o crescimento da pecuária.
Em algumas ocasiões na história do Brasil, os camponeses
foram sinônimos de resistência ao modelo imposto. São considerados os primeiros
movimentos sociais do campo devido às bandeiras de luta que estavam clamando.
São eles: Contestado, no Paraná e Santa Catarina, Canudos, na Bahia, o Cangaço,
no Nordeste Brasileiro e, por fim, as Ligas Camponesas, que deram origem à
Revolta de Trombas e Formoso em Goiás”.
Claudemiro Godoy do Nascimento*
* Licenciado em Filosofia pela
Universidade Católica de Goiás (1999). Graduado em Teologia pelo Instituto de
Teologia Santa Úrsula (2005). Mestre em Educação pela Universidade Estadual de
Campinas (2005).
Doutorando em Educação pela
Universidade de Brasília. Professor da Universidade Federal do Tocantins.
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